Outro dia me questionaram sobre a latitude da Canon em relação aos outros equipamentos digitais.
Respondi dizendo que o problema dela é que ela não vem com equipe de elétrica, nem com rebatedores, bandeiras e afins, e muito menos com fefletores.
Numa cena externa, dependendo das condições, sem uma equipe e sem os equipamentos adequados, nem com 35mm dá para fazer milagre.
Como a 5D é um equipamento barato quase nunca te dão condições para tirar o melhor dela.
Voltando ao assunto latitude, não é a 8ª maravilha do mundo, mas estou muito contente com os resultados que tenho tido com ela.
Finalmente meu site ficou pronto.
Fiz a direção de Arte, mas o Marcelo Bala é quem deu vida a ele. Usamos um programa chamado Slide Show Pro. Com ele eu mesmo consigo atualizar o conteúdo, o que é muito importante já que toda hora tenho trabalhos novos para mostrar.
Estes são 2 dos filmes em chroma que eu havia mencionado anteriormente.
Na verdade eles não precisavam ser feitos em chroma, mas como o cliente e a agência estavam em dúvida de como seria o fundo e como entraria a página do site, decidimos por fazer no fundo verde mesmo. Recentemente coloquei um post sobre as indicações da O2 para chroma com a RED.
Isso vale para outras digitais, colocar o fundo entre 55 e 65 ire, ou seja na mesma exposição da palma da mão ( 1 stop a cima do cinza 18%).
Eu gosto muito de usar as kino-Flo ou similares (fluorescente) para fazer o fundo pois elas espalham bastante deixando o fundo uniforme sem muito esforço e o set não fica um forno, mas você acaba não conseguindo um diafragma muito fechado, quando faço o fundo com esse equipamento acabo trabalhando com f4 ou no máximo f5.6 com 160 de ASA. Se precisar de uma imagem mais sharp que isso vai precisar de usar outras fontes.
A camera usada foi novamente a Canon Mark II 5D, mas dessa vez usei f4 o tempo todo mesmo.
Apsar da compactação, o canal verde da 5D é muito bom e eu não tive muita dificuldade no recorte. Para fazer o fundo usei 6 PLs (”genérico” da Kino-Flo) de 10 lâmdadas e para key light duas kino-Flo de 10 lampadas e uma de 4 lampadas para fill light. O contra estava sendo dado pela própria luz que eu estava usando para fazer o fundo.
A animação e parte da finalização foi feita pela Black House. sando um flame, e eu terminei usando o After mesmo.
O Bellini e o Demônio tem um trabalho brilhante do Fábio Assunção ajudado pela direção de Marcelo Galvão e preparação de atores do Pena. Sem contar com a fotografia de quem vos escreve. Vale a Pena conferí-lo na Prêmier Brasil do Festival do Rio.
Nas últimas duas semanas, por alguma razão acabei fazendo 8 filmes usando Chroma, um com a HVX200, 5 numa mesma diária com a Mark II 5D e um com a RED One. Ainda não posso colocar nenhum desses filmes no Blog, mas por coincidência acabei recebendo do Calos Vecchi da O2 um documento com a receita de como fotografar croma com a RED One segundo a O2, e ele me autorizou colocá-la aqui no Blog:
Padrão O2 filmes de chroma e tracking para câmeras RED.
• Pintar os fundos com Sulvinil (verde L-055) (azul Y-077)
• Câmera RED sempre atualizadas com o último build.
• A fotometragem deve ser feita a partir da câmera e não só com fotômetros. Uma dica é usar o (false color) para spot do fundo.
• O IRE - que mede a intensidade da luz do “fundo” deve estar medindo entre 55 e 65 IRE.
• Os Fotógrafos e assistentes de câmera deverão seguir esta regra.
• Para os pontos de tracking teremos dois tipos: 2D e 3D.
• Os pontos de traking serão feitos com fitas pintadas da mesma cor do fundo com 1/2 stop de diferênça para cima ou para baixo:
1/2 stop para baixo = 1 parte de preto para 70 partes de verde.
1/2 stop para cima = 1 parte de branco para 4 partes de verde.
• O desenho e a colocação desses pontos de tracking serão sempre com orientação da pós produção.
• Em planos com muita movimentação de câmera deve ser filmado com obturador no mínimo 1/100 para amenizar o motion blur tanto do recorte como dos pontos de traking.
• Os testes foram feitos usando luz tungstênio, a câmera e o Scratch com REDspace. Com fundo verde Sulvinil - L 055
Bellini e o Demônio, foi o meu primeiro longa como diretor de fotografia. Agradeço a oportunidade ao Marcelo Galvão e ao Produtor Marçal de Souza (Brincando nos campos do senhor, Beijo da Mulher Aranha, Boleiros… só para citar alguns). Que além de ter me dado a oportunidade me apresentou o Alexandre Henrique, meu braço direito até hoje. O Bellini foi a minha maior escola, Fazia um ano que eu tinha voltado de Cuba. Aprendi a Expor com segurança absoluta, mas nunca tinha feito uma lista de equipamentos para um longa, ainda mais sabendo que não ia ter muito tempo para verificar as locações. As poucas visitar que fizemos foi para definí-las não para estudar planos e iluminação.
A principal coisa que aprendi nesse filme foi a abrir mão. Não é fácil você ter que abrir mão de fazer a melhor fotografia num plano para ganhar tempo em outro que seja mais importante para a história ou que você ache mais relevante para a fotografia do filme. Por diversas vezes nesse filme tive que simplificar o máximo possível para ganhar tempo no plano seguinte seja para cumprir a ordem do dia ou para ter mais tempo no próximo plano que a meu ver seria mais importante para o filme. Uma vez eu li, que a fotografia é o conjunto, não adianta vc tentar fazer todos os planos magníficos e não cumprir o programado, cada diária de produção sai muito caro e os atrasos inviabilizam o filme. Muitas vezes vc vai ter o ator só naquele dia ou como foi o caso do Fábio, ele tinha de fazer a barba e cortar o cabelo pois ia começar o Primo Basílio, então tínhamos um “Dead Line” que não dava para ser esticado, pelo menos não com o Fábio Assunção em cena.
No Bellini pensei em fazer a Luz bem recortada, para dar mais dramaticidade as cenas e como queríamos desconstruir o Fábio eu não tinha a preocupação de deixá-lo bonitinho. Como o filme era basicamente noturno tive sempre muito controle da Luz o que facilitou minha vida por se tratar de um longa feito em vídeo. Nas poucas cenas que tive de dia dei sorte de principiante e o sol teimou em não aparecer ou apareceu tão fraquinho que não agravou meu problema de latitude. As cenas da estação Júlio Prestes por exemplo não teriam saído tão bonitas se o sol tivesse aparecido.
Optamos pela câmera na mão para deixar o filme mais documental e também somo recurso para descolar os elementos, pois uma vez que a camera se movimenta mantendo o personagem em quadro o movimento do fundo por menor que seja acaba descolando os planos.
Também optei por usar o diafragma todo aberto para poder me aproveitar o máximo possível da profundidade de campo evitar que a imagem ficasse com muita cara de vídeo. Apesar da câmera na mão tentamos usar trilho e grua (mas com a câmera solta na mão do assistente) mas ficaram muito novela e acabamos não aproveitando e até mesmo desistindo de usar ao longa das gravações.
O Equipamento usado foi uma Sony F900 com uma zoom Canon 7.5~158mm (1.9T em 7.5~116mm e 2.6T em 158mm)
Nesse trabalho fiz o possível para tentar colocar tudo dentro da latitude da câmera. Bandeirei tudo que eu pude nas externas dia e fiz toda a luz dentro do que a câmera me permitia. Constantemente checava o wave format para garantir que eu tinha toda a informação ali numa qualidade boa para a pós. Por isso fiquei muito chateado quando não fui avisado da correção de cor, fiz uma captação correntíssima com um bom contraste e sem clipar nem enterrar nada e na hora de dar vida as imagens que concebi fiquei de fora. Mas já soube que isso é bem comum de acontecer, e não posso negar que esse filme foi uma grande escola.
Luz se eu não esqueci de nada, foi:
1 HMI fresnel de 4k
1 HMI fresnel de 6k
2 HMI fresnel de 575
1 poket Hmi 125 com kimera (deu um jeitão em vária cenas.
2 fresneis de 2k Tung
2 fresneis de 1k Tung
6 fresneis de 300 Tung
4 fresneis de 650 Tung
6 Kinos de 10 Lâmpadas
2 Kinos de 4 lâmpadas
2 kits dedo light de 150w
2 butterflies de 6x6
2 butterflies de 4x4
O resto dos acessórios eu não vou me lembrar.
A lista acima não é precisa mais foi mais ou menos isso que eu usei.
Minha dica para quem vai enfrentar o primeiro longa é: Exija um chefe de elétrica experiente. Se você sabe o que quer e sabe se expressar, ele consegue te dar várias opções para realizar aquilo que você está imaginando. Ai é só ter bom senso.
Filme: Bellini e o Demônio
Festivais: LABFF (prêmio de melhor ator aara o Fábio Assunção) | Fantas Porto | Festival do Rio (Premier Brasil)
Produção: Santa Fé, Guela, Gatacine
Distribuição: Imagem Filmes
Produção Executiva Teodoro Fontes
Direção de Cena: Marcelo Galvão
Direção de Fotografia: Rodrigo Tavares
Assistência de Câmera: Eduardo Makino
Gaffer: Alexandre Henrique
Está é a lista de livros que Rodolfo Denevi ( professor na EICTV de Cuba) me passou quando cursei com ele o “taller de cinematografia avanzada” em 2005.
“Hands-on” Manual for Cinematographers” - David Samuelson (bem mais simples de pesquisar do que o “American Cinematographer”
“The Camera Assistant, a complete professional Handbook” - Douglas C. Hart (Tem uma passagem que achei muito interessante: “quando não te disserem aonde vai o foco, foque o maior cachê”)
“Motion Picture and Video Lighting” - Blain Brown (Um livro ótimo para quem está começando, sem contar que tem um capítulo super didático sobre exposição por zona.
E o manual da “American Cinematographer”, aprendi a fazer croma lendo ele. Não tem erro.
Um Dia Ruim
Acabei de re-finalizar esse Clip, era para ser apenas a Banda tocando, mas o Galvão sugeriu de usar cenas de arquivo que compramos para um job da Gatacine.
Então, usei essas imagens de domínio público para construir uma metáfora da letra da música. Ela é sobre uma briga de bar, segui o conselho e resolvi transpor o clip para a Segunda Guerra, achei que fazia sentido. Mas tive que tomar muito cuidado para equilibrar a proporção das cenas e não ficar uma apologia ao nazismo.
Nele usei a Canon 5D Mark 2, lentes Canon 50 mm f/ 1,3 e 24-105 mm f/4 e uma macro Nikon 50 mm f/3.5. Transformei o codec para Apple Pro Res para poder tratar, transformei em PB, mudei a velocidade para 18fps para casar com as imagens de arquivo e apliquei a sujeira em layers, e variei o brilho para deixar mais parecido. Por fim apliquei um grão geral para igualar tudo.
Banda: Hajoe
Direção e Fotografia: Rodrigo Tavares
Este filme é um varejo para a Nissan, Foi feito com a Mark II 5D, e finalizado no After effects.
Estou descobrindo que prefiro eu mesmo fazer a camera com este equipamento. Trabalho com muito pouca profundidade de campo com a
Canon 5D e como eu me adaptei muito bem a ela, prefiro fazer eu mesmo todo o trabalho de camera, me limitando a um assistente para me ajudar com as trocas de lente e com a monitoração. Nesse trabalho usei uma lente Canon 50mm 1.4T, alguns takes a 1.4 outros a 2.8 também usei uma macro da Nikon 50mm 3.5T você vai ver que essa escolha de lentes se repete muito nos meus trabalhos, mas é porque com essa camera eu consigo muito desfoque mesmo usando uma lente “normal” (com um cmapo de visão parecido com o nosso).
usar essa camera e não tirar proveito da pouca profundidade que ela consegue entregar é um desperdício e chego a dizer “burrice” pois ela tem muitas disvantagens para não aproveitar essa gende vantagem. Se é para botar tudo em foco prefiro usar outra camera.
Nesse trabalho foi minha primeira experiência recortando croma com a 5D. Ficou muito bom, o canal verde da Canon é muito bom, mas já não posso dizer o mesmo do azul, eu não arriscaria um croma azul com ela. Devido ao chip Bayer onde o Azul e o vermelho dividem a mesma camada a maioria de sua informação é formada por calculos potanto incompleta e para piorar a compressão dela deixa esses dois canais ainda mais debilitados. Para terminar o assunto finalização, o fundo com o monte fuji foi composto a partir de uma foto que eu animei, colocando todas as nunvens para andar e adicionando alguns layers de fog para dar mais realismo e movimento eterminei por fazer balançar as folhas das plantas usando o wave do after effects. O mais difícil foi fazer o mestre acompanhar o movimento da flexão de braço, acabei conseguindo usando keyframes para sincronizar os movimentos.
De luz usei 4 kinos de 10 lampadas como luz principal para prolongar a luz das janelas, duas kinos de 4 lampadas para fill-light, um fresnel hmi 575 para o contra luz e um outro fresnel hmi 575 para iluninar a sala ao fundo e deixa-la no contraste que eu queria.